esta é uma manhã possível porque outras existiram
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esta é uma manhã possível porque outras existiram
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torna-se tarde o vagar de cada segundo de humidade que os corpos absorvem
nos ossos as dores de cada passo, o humor de cada gota divina, o ribombar de cada ego
no descanso que se deseja um verdugo que nos verga e nos liberta em busca dos sonhos
no sono de um gesto presente a sentença de cada gesto passado
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recriar os espaços entre as fendas dolorosas que alguém esqueceu em nós
junto de um beijo
e inventar frinchas e desaparecer nelas como quem já não quer
amar mais
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a manhã de outros dias nunca tinha sido tão descrente no homem como esta
o olhar ignora o edifício transparente e imagina o odor de pedras e passos
no restolho de uma batalha ganha por réis ignóbeis que pretende impedir
o chão de reforçar o meu caminho, a caminho de casa
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